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Ilustração de código de programação e segurança cibernética com inteligência artificial

PROMPTFLUX: O Malware que Usa a IA do Google para Se Reinventar a Cada Hora e Enganar Antivírus (Como Funciona e Como Se Proteger em 2025)

Ilustração de código de programação e segurança cibernética com inteligência artificial

PROMPTFLUX: O Malware que Usa a IA do Google para Se Reinventar a Cada Hora e Enganar Antivírus (Como Funciona e Como Se Proteger em 2025)

Imagine um vírus de computador que não apenas se esconde, mas que ativamente aprende e se transforma para nunca ser pego. Um código malicioso que, em vez de seguir um padrão fixo, usa a mesma tecnologia de ponta por trás de assistentes como o Gemini para se reinventar a cada hora. Isso não é mais um roteiro de ficção científica. Em uma descoberta que acende um alerta vermelho em toda a comunidade de cibersegurança, o Google Threat Intelligence Group (GTIG) revelou a existência do PROMPTFLUX, o primeiro malware encontrado em uso real que utiliza inteligência artificial generativa para se adaptar e escapar de sistemas de detecção.

A revelação, feita no início de novembro de 2025, marca o início de uma nova e perigosa era na guerra digital. Se antes os malwares eram como soldados com um plano de ataque fixo, agora eles são como espiões metamorfos, capazes de mudar de disfarce e estratégia em tempo real. Essa capacidade de mutação constante torna as defesas tradicionais, baseadas em assinaturas conhecidas, quase obsoletas. Neste artigo, vamos mergulhar fundo no funcionamento do PROMPTFLUX, entender por que ele representa um salto quântico nas ameaças cibernéticas e, o mais importante, o que você pode fazer para se proteger dessa nova geração de ataques inteligentes no Brasil.

O Que é o PROMPTFLUX e Por Que Ele é Tão Perigoso?

O PROMPTFLUX não é um malware comum. Descoberto em sua fase experimental, ele é escrito em Visual Basic Script (VBScript), uma linguagem relativamente antiga, mas sua genialidade maligna reside em seu componente central, apelidado de “Thinking Robot” (Robô Pensante). Em vez de conter todo o seu código malicioso dentro de si, o PROMPTFLUX interage diretamente com a API de modelos de linguagem avançados do Google, como o Gemini 1.5 Flash.

A principal diferença entre o PROMPTFLUX e malwares tradicionais pode ser resumida em uma palavra: adaptação. Um antivírus convencional funciona como um segurança de boate com uma lista de “procurados”. Ele verifica cada arquivo que entra no sistema e, se a “identidade” (assinatura) do arquivo corresponde a um malware conhecido na lista, ele é barrado. O problema é que o PROMPTFLUX, ao usar IA, consegue mudar sua identidade a cada hora. É como se o criminoso trocasse de rosto e de impressões digitais constantemente, tornando a lista de procurados inútil.

Essa capacidade de gerar código “just-in-time” (no momento exato) para se modificar significa que cada versão do malware pode ser única, dificultando enormemente a detecção e a análise por parte de pesquisadores de segurança. Embora a versão encontrada estivesse em desenvolvimento, com a função de auto-atualização ainda comentada no código, a intenção dos seus criadores é clara: criar um malware metamórfico que evolui autonomamente para sobreviver.

Como Funciona o “Robô Pensante” do PROMPTFLUX

O mecanismo por trás do PROMPTFLUX é ao mesmo tempo engenhoso e assustador. Ele explora a capacidade da IA generativa de criar código sob demanda, transformando um modelo de linguagem em um cúmplice involuntário. O processo pode ser dividido em algumas etapas-chave:

  1. Comunicação com a IA: O malware utiliza uma chave de API codificada em seu interior para se conectar diretamente a um modelo de IA como o Gemini.
  2. O Pedido Malicioso: Ele envia um prompt (um comando de texto) altamente específico, instruindo a IA a agir como uma “especialista em ofuscação de VBScript”. O pedido é claro: reescrever partes do seu próprio código para torná-lo irreconhecível para softwares antivírus.
  3. Geração de Novo Código: A IA, sem entender a intenção maliciosa e apenas seguindo a instrução técnica, gera uma nova versão do código, aplicando técnicas de ofuscação que embaralham a lógica e escondem sua verdadeira função.
  4. Auto-Modificação: O PROMPTFLUX recebe esse novo código e o integra a si mesmo, essencialmente se transformando em uma nova variante. Uma das versões analisadas pelo Google estava programada para repetir esse processo a cada hora.
  5. Persistência e Propagação: Para garantir sua sobrevivência no sistema infectado, o malware salva sua nova versão na pasta de inicialização do Windows. Ele também tenta se espalhar, copiando-se para drives USB conectados e pastas de rede mapeadas.

Embora o pesquisador de segurança Marcus Hutchins tenha apontado que a abordagem ainda é rudimentar e assume que a IA “instintivamente sabe como evadir antivírus”, o que não é verdade, ele concorda que a intenção é criar um malware que aprende e se adapta. A descoberta é um vislumbre preocupante do futuro, onde ataques podem se tornar muito mais dinâmicos e difíceis de combater.

A Ponta do Iceberg: Outras Ameaças com IA Já Estão Entre Nós

O PROMPTFLUX é o caso mais recente, mas está longe de ser o único. O relatório do Google revela que atores de ameaças, incluindo grupos patrocinados por estados como China, Irã e Coreia do Norte, já estão usando IA para otimizar suas operações. Eles utilizam a tecnologia para tarefas como reconhecimento de alvos, criação de e-mails de phishing mais convincentes e até para desenvolver ferramentas de exfiltração de dados. Outras famílias de malware com IA identificadas incluem:

  • PROMPTLOCK: Um ransomware multiplataforma que usa IA para gerar scripts maliciosos em tempo real.
  • PROMPTSTEAL: Um ladrão de dados usado por hackers russos para gerar comandos e roubar informações.
  • FRUITSHELL: Um malware que usa prompts de IA para tentar enganar sistemas de segurança baseados em modelos de linguagem.

Esses grupos também desenvolveram táticas para contornar as travas de segurança dos próprios modelos de IA. Eles se passam por estudantes ou pesquisadores em exercícios de segurança (conhecidos como Capture The Flag – CTF) para enganar a IA e fazê-la fornecer informações sobre exploração de vulnerabilidades, uma tática que se mostrou eficaz.

O Que Isso Significa para Você no Brasil?

A chegada de malwares adaptativos como o PROMPTFLUX representa uma ameaça significativa para usuários e empresas no Brasil. Nosso país já é um dos maiores alvos de ataques cibernéticos no mundo, especialmente phishing e fraudes financeiras. A popularização de malwares com IA pode intensificar esse cenário de várias formas:

  • Ataques Mais Sofisticados: E-mails de phishing e mensagens fraudulentas se tornarão ainda mais personalizados e difíceis de identificar, pois a IA pode criar textos perfeitos em português, sem os erros gramaticais que muitas vezes denunciam as fraudes.
  • Ineficácia de Ferramentas Atuais: Softwares de segurança que não utilizam análise comportamental ou inteligência artificial para detecção se tornarão cada vez mais vulneráveis.
  • Democratização do Crime: A IA reduz a barreira técnica para criar malwares eficazes. Criminosos com menos conhecimento técnico poderão lançar ataques mais complexos, aumentando o volume de ameaças.

Como Se Proteger da Nova Geração de Malware com IA em 2025

Combater uma ameaça que pensa e se adapta exige uma mudança de mentalidade e de ferramentas. A segurança baseada apenas em prevenção não é mais suficiente; a detecção e a resposta rápida são cruciais. Aqui estão algumas medidas práticas que você pode adotar:

  1. Adote um Antivírus Moderno: Utilize soluções de segurança que vão além da detecção por assinatura. Procure por softwares que ofereçam detecção baseada em comportamento, sandboxing (que executa arquivos suspeitos em um ambiente isolado) e proteção com IA.
  2. Mantenha Tudo Atualizado: Esta continua sendo a regra de ouro da cibersegurança. Mantenha seu sistema operacional, navegador e todos os seus aplicativos atualizados. As atualizações frequentemente corrigem vulnerabilidades que malwares podem explorar.
  3. Desconfie de Tudo (Zero Trust): Adote uma mentalidade de “confiança zero”. Seja extremamente cético com e-mails, mensagens e links inesperados, mesmo que pareçam vir de fontes conhecidas. A IA pode ser usada para criar imitações perfeitas.
  4. Faça Backups Inteligentes: Mantenha backups regulares de seus dados importantes. Utilize a regra 3-2-1: três cópias dos seus dados, em duas mídias diferentes, com uma cópia armazenada fora do local (na nuvem ou em um HD externo desconectado).
  5. Educação Contínua: Mantenha-se informado sobre as novas ameaças. Entender como esses ataques funcionam é o primeiro passo para não se tornar uma vítima. Compartilhe esse conhecimento com amigos, familiares e colegas de trabalho.

Conclusão: A Corrida Armamentista da IA Começou

A descoberta do PROMPTFLUX não é apenas sobre um novo malware; é a confirmação de que a corrida armamentista da inteligência artificial na cibersegurança já começou. De um lado, temos especialistas usando IA para criar defesas mais robustas e inteligentes. Do outro, criminosos explorando a mesma tecnologia para criar ataques mais evasivos e perigosos. Para nós, usuários e empresas, isso significa que a vigilância e a adaptação nunca foram tão importantes. A era do malware que pensa chegou, e nossa melhor defesa é estarmos um passo à frente, armados com conhecimento e as ferramentas certas para navegar neste novo e desafiador cenário digital.


Referências

  • Google Threat Intelligence Group (GTIG) – Relatório de Novembro de 2025 sobre o uso de IA por atores de ameaças.
  • The Hacker News – “Google Uncovers PROMPTFLUX Malware That Uses Gemini AI to Rewrite Its Code Hourly”.
  • Axios – “AI-powered malware found in the wild, Google says”.
  • Tecnoblog – “Google descobre malware que usa IA para gerar novos códigos após invasão”.

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