High Boy: O Rival Brasileiro do Flipper Zero que Conquistou o Mundo
Introdução: A Nova Sensação do Hacking Ético é Brasileira
Em um mercado dominado por gigantes internacionais, uma nova estrela surge no horizonte da tecnologia e segurança cibernética, e ela fala português. Conheça o High Boy, um dispositivo multifuncional para hacking ético que não apenas promete competir com o famoso Flipper Zero, mas também o supera em aspectos cruciais. Criado por quatro jovens estudantes brasileiros, o projeto alcançou um sucesso estrondoso na plataforma de financiamento coletivo Kickstarter, arrecadando mais de US$ 230 mil (cerca de R$ 1,2 milhão), ultrapassando em mais de 3.000% sua meta inicial. Este artigo explora a fundo o que é o High Boy, suas especificações, a história por trás de sua criação e o que ele representa para o futuro da inovação tecnológica no Brasil.
A Origem: Da Restrição à Inovação
A história do High Boy começa como uma resposta direta a um obstáculo. O Flipper Zero, um dispositivo semelhante que se tornou uma febre mundial, enfrentou sérias restrições no Brasil, sendo apreendido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sob a justificativa de que poderia ser usado para fins ilícitos. Para entusiastas, estudantes e profissionais de segurança que viam a ferramenta como um poderoso instrumento de aprendizado, a proibição foi um balde de água fria.
Foi nesse cenário que quatro estudantes brasileiros decidiram transformar a frustração em ação. Em vez de lamentar a falta de acesso, eles se perguntaram: “Por que não criamos o nosso?”. Assim nasceu a High Code, uma empresa com raízes no Brasil e sede logística nos Estados Unidos, e com ela, o projeto High Boy. A missão era clara: criar uma ferramenta de código aberto, mais poderosa e acessível, com foco especial na comunidade latino-americana.
Especificações Técnicas: Um Laboratório Completo no seu Bolso
O grande diferencial do High Boy está em sua arquitetura e funcionalidades nativas. Enquanto o Flipper Zero depende de módulos externos para tarefas como análise de redes Wi-Fi, o High Boy integra tudo em um design compacto e eficiente. O segredo está em sua arquitetura Dual MCU, que combina o poder de dois processadores, o ESP32-S3 e o ESP32-C5, para entregar máxima performance.
Abaixo, uma tabela comparativa com as principais funcionalidades:
| Funcionalidade | Descrição Detalhada |
|---|---|
| Wi-Fi Dual-Band | Nativo (2.4 GHz e 5 GHz), permitindo análise de redes, força de sinal e tipos de criptografia sem módulos adicionais. |
| Bluetooth LE | Escaneamento de dispositivos, conexão com app mobile (iOS/Android) para controle e atualizações. |
| NFC | Leitura e emulação de tags (MIFARE, FeliCa, ISO 14443 A/B) para estudo de protocolos. |
| RF Sub-GHz | Transceiver CC1101 para análise de sinais em frequências de 315, 433, 868 e 915 MHz, comum em dispositivos IoT e controles remotos. |
| Infravermelho | Capacidade de aprender e transmitir sinais, funcionando como um controle remoto universal para automação residencial. |
| GPIO e Protocolos | Pinos de expansão para conexão com sensores e outros módulos, com suporte a UART, SPI e I²C. |
| Armazenamento | Slot para cartão microSD de até 32 GB para salvar logs, firmwares e backups. |
Além disso, o projeto é 100% open source, tanto em hardware quanto em firmware, utilizando o framework ESP-IDF da Espressif. Isso significa que a comunidade pode não apenas auditar, mas também modificar e estender as capacidades do dispositivo, criando um ecossistema colaborativo de inovação.
High Boy vs. Flipper Zero: A Evolução da Espécie
O High Boy não é um clone, mas sim uma evolução. A principal vantagem é, sem dúvida, o Wi-Fi dual-band integrado. Essa funcionalidade, essencial para pentesting e análise de redes, é uma limitação no Flipper Zero, que exige a compra de um módulo caro e de difícil instalação. A arquitetura Dual MCU do High Boy resolve isso de forma elegante e poderosa.
Outro ponto de destaque é o foco na comunidade. Com um mascote carismático, o polvo roxo Octobit (uma brincadeira com 8 tentáculos = 8 bits = 1 byte), o High Boy busca tornar o aprendizado sobre segurança e tecnologia mais divertido e acessível. A promessa de um ecossistema aberto e documentação em português é um grande atrativo para o público brasileiro e latino-americano.
O Desafio Regulatório: O Fantasma da Anatel
O sucesso do High Boy não vem sem desafios. A sombra da Anatel e a proibição do Flipper Zero são uma preocupação real. A agência considerou que tais dispositivos facilitam a prática de crimes, uma visão que a comunidade de segurança cibernética contesta, argumentando que o propósito principal é educacional.
A equipe da High Code está ciente do obstáculo. Segundo Joje Mendes, um dos criadores, um setor jurídico está sendo preparado para lidar com as questões regulatórias no início de 2026. O foco da empresa é o mercado nacional, e a estratégia para obter a certificação será baseada na transparência, no forte posicionamento ético e no propósito educacional do projeto. A empresa reforça em sua comunicação: “Vetamos e desincentivamos qualquer uso ilegal ou irregular do High Boy. O nosso foco é na educação e na tecnologia open source.”
Mercado, Preço e Disponibilidade
A campanha no Kickstarter foi um termômetro do imenso interesse pelo produto. Com um preço especial de US$ 120 (cerca de R$ 645) para os apoiadores, o High Boy se posicionou de forma competitiva. Após a campanha, o preço estimado será de US$ 160.
Com 1.969 apoiadores e a campanha ainda ativa por mais 31 dias, a demanda é clara. A previsão de entrega para os compradores do Kickstarter é julho de 2026. O sucesso do financiamento coletivo não apenas valida a ideia, mas também garante os recursos necessários para a produção em massa e para enfrentar os desafios legais e logísticos que virão.
Conclusão: Um Símbolo da Inovação Brasileira
O High Boy é mais do que um gadget de tecnologia. Ele é um símbolo da capacidade de inovação brasileira, mostrando que é possível criar produtos de ponta, competitivos globalmente, mesmo diante de adversidades. Nascido da necessidade e alimentado pela paixão por conhecimento livre, o projeto tem potencial para se tornar uma ferramenta padrão para estudantes, pesquisadores e entusiastas de tecnologia em toda a América Latina.
Resta agora acompanhar os próximos capítulos desta jornada: a finalização do desenvolvimento, o desafio da certificação junto à Anatel e, finalmente, a chegada deste incrível laboratório de bolso às mãos da comunidade. O futuro do hacking ético no Brasil parece mais promissor e, definitivamente, mais roxo.
Referências







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