Memória RAM em Crise: Como a Inteligência Artificial Está Esvaziando as Prateleiras e Pesando no seu Bolso
Se você está planejando comprar um novo celular, notebook ou até mesmo um carro em 2026, prepare-se para um impacto inesperado no seu orçamento. Uma crise silenciosa, mas poderosa, está se formando no coração da indústria de tecnologia, ameaçando encarecer drasticamente os eletrônicos que tanto amamos. A vilã? A mesma força que promete revolucionar nosso futuro: a Inteligência Artificial (IA).
A crescente demanda por IA está canibalizando a produção de um componente essencial: a memória RAM. Este componente, crucial para o desempenho de praticamente todos os dispositivos modernos, está se tornando cada vez mais escasso e caro. Neste artigo, vamos mergulhar fundo nessa crise, explicando como a corrida pela IA está afetando a produção de memória, o que isso significa para o consumidor brasileiro e até quando podemos esperar que essa tempestade passe.
A Raiz da Crise: IA e a Fome por Memória
Para entender a crise, precisamos olhar para os data centers, os cérebros pulsantes da era digital. Empresas como Google, Microsoft e Amazon estão investindo bilhões na construção de infraestruturas massivas para treinar e executar modelos de IA cada vez mais complexos. E esses modelos são famintos por um tipo específico de memória de altíssimo desempenho, a High Bandwidth Memory (HBM).
O problema é que o mercado global de memória é dominado por um trio de gigantes: Samsung, SK Hynix e Micron, que controlam mais de 90% da produção. Com as empresas de IA dispostas a pagar valores exorbitantes pela HBM, os fabricantes estão, compreensivelmente, redirecionando suas linhas de produção. Segundo o Olhar Digital, cada bit de HBM produzido retira do mercado três bits da memória DRAM convencional, como a DDR4, que ainda equipa a grande maioria dos computadores e celulares de entrada e intermediários. [2]
“No passado, a escassez era pontual e ligada a problemas de produção em fábricas, agora temos um novo cenário devido à IA”, afirmou Mauricio Helfer, diretor da Dell no Brasil, em um evento da Abinee. [1] A priorização da HBM, que é mais lucrativa, cria um efeito cascata, diminuindo a oferta e aumentando o preço das memórias mais comuns.
O Impacto no Bolso do Consumidor Brasileiro
A escassez já é uma realidade. O G1 reportou um exemplo alarmante: um pente de memória RAM DDR4 de 16GB da Corsair, que custava R$ 650 em novembro de 2025, saltou para R$ 1.599 em dezembro, um aumento de 146%. [1] E a tendência é de alta. A consultoria Counterpoint Research estima um aumento adicional de 40% a 50% nos preços até o final do primeiro trimestre de 2026. [3]
Para o consumidor brasileiro, a situação é ainda mais delicada. Fatores como câmbio, impostos de importação e custos logísticos tendem a amplificar esses reajustes. Márcio Andrey Teixeira, professor do IFSP, alerta que “os produtos mais afetados tendem a ser os modelos de entrada e intermediários, que são justamente os que utilizam memória RAM DDR4”. [1]
Além do preço, a qualidade dos produtos também pode ser afetada. Paulo Vizaco, diretor da Kingston no Brasil, adverte que os consumidores podem começar a ver fabricantes entregando celulares e notebooks com configurações de memória mais simples, mas mantendo o mesmo preço de antes, para absorver os custos. [1]
A crise não se limita à memória RAM. A mesma cadeia produtiva é compartilhada por SSDs e discos rígidos (HDs), que também devem sentir o impacto nos preços. Até mesmo o setor automotivo, que utiliza tipos de memória mais antigos, está em alerta para possíveis atrasos na produção. [2]
Até Quando Vai a Crise?
A pergunta de um milhão de dólares não tem uma resposta fácil. A construção de novas fábricas de semicondutores é um processo lento e que exige investimentos bilionários. A Micron, por exemplo, está construindo uma “megafábrica” de US$ 100 bilhões em Nova York, mas a nova capacidade produtiva só deve começar a equilibrar o mercado global entre 2027 e 2028. [2]
Até lá, a indústria continuará dependendo de uma capacidade de produção que não foi projetada para a explosão repentina da demanda por IA. A SK Hynix, uma das três grandes, prevê que a escassez pode durar até o final de 2027. [1] O Wall Street Journal, em uma análise citada pelo Tecnoblog, estima que os data centers de IA consumirão sozinhos 70% de todos os chips de memória produzidos em 2026. [3]
A conclusão é clara: estamos entrando em um período de turbulência para o hardware. A era da Inteligência Artificial, ao mesmo tempo que nos fascina com suas possibilidades, impõe um custo real e imediato. Para o consumidor, a recomendação é pesquisar, comparar preços e, se possível, antecipar compras importantes. A memória pode estar curta, mas a lembrança de preços mais baixos pode demorar a voltar.







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