Brasil Sob Ataque: Por Que o País Virou o Alvo Preferido de Hackers na América Latina em 2025
Introdução: Um Alerta Vermelho para a Segurança Digital no Brasil
Em 2025, o Brasil não se destaca apenas por suas belezas naturais ou sua economia pulsante, mas por um título alarmante: o de nação mais atacada por cibercriminosos na América Latina. Um relatório recente da FortiGuard Labs, da Fortinet, revelou um dado chocante: o Brasil concentra 84% de todas as tentativas de ataques cibernéticos na região no primeiro semestre de 2025, somando mais de 314 bilhões de atividades maliciosas. [1] O principal vilão dessa história é o ransomware, um tipo de ataque que sequestra dados e exige resgate, causando prejuízos milionários e expondo a fragilidade digital de empresas e, principalmente, do setor público.
Enquanto o blog Tech em Dia já explorou diversas facetas da inteligência artificial e lançamentos de hardware, um olhar aprofundado sobre a crescente maré de ciberataques se tornou não apenas relevante, mas urgente. Este artigo mergulha nos números, analisa as causas e explora as consequências dessa epidemia digital, oferecendo um guia essencial para entender por que o Brasil está na mira dos hackers e como podemos nos proteger.
O Que é Ransomware e Como Ele Funciona?
Antes de entendermos o cenário brasileiro, é crucial saber quem é o inimigo. O ransomware é um software malicioso que, ao infectar um sistema, criptografa os arquivos, tornando-os inacessíveis. Em seguida, os criminosos exibem uma mensagem exigindo um pagamento (resgate), geralmente em criptomoedas, para fornecer a chave que libera os dados. As técnicas mais comuns são a criptografia e a exfiltração de dados, onde os hackers ameaçam vazar informações sensíveis caso o resgate não seja pago. [2]
Essa modalidade de crime cresceu exponencialmente com o modelo de Ransomware-as-a-Service (RaaS), onde grupos criminosos desenvolvem a praga digital e a “alugam” para outros hackers, que ficam responsáveis por distribuí-la e dividir os lucros. Isso democratizou o cibercrime, permitindo que até mesmo atacantes com menos conhecimento técnico pudessem lançar campanhas devastadoras.
Por Que o Brasil? A Anatomia de um Alvo Perfeito
Diversos fatores convergiram para colocar o Brasil no topo da lista de alvos. Não se trata de um único ponto fraco, mas de uma combinação complexa de vulnerabilidades sociais, econômicas e tecnológicas.
1. Digitalização Acelerada e Desprotegida: A rápida digitalização de serviços públicos e privados no Brasil não foi acompanhada por investimentos proporcionais em cibersegurança. Muitos sistemas foram implementados às pressas, deixando brechas que agora são exploradas pelos criminosos. O setor governamental, em particular, tornou-se o mais visado, com uma média de 5.389 ciberataques semanais por órgão em outubro de 2025. [3]
2. Conhecimento Local e Crime Organizado: Especialistas apontam que muitos ataques combinam a infraestrutura técnica de grupos internacionais com o conhecimento de criminosos locais. “O cibercrime internacional pode ter a técnica, mas não conhece o contexto. Só quem vive no território sabe o que é um sistema de câmeras inteligentes municipal ou um cadastro social e como ele pode ser explorado”, explica um analista de segurança. [1] Essa “tropicalização” dos ataques torna-os mais eficazes, direcionando-os para alvos de alto impacto.
3. Potencial Econômico e Disposição para Pagar: Sendo a maior economia da América Latina, o Brasil representa um mercado lucrativo. Uma pesquisa da Cohesity revelou que 84% das empresas brasileiras atacadas já pagaram por resgates cibernéticos, um número que sinaliza aos criminosos que a extorsão é uma tática viável e rentável no país. [4]
Abaixo, uma tabela compara a situação do Brasil com outros países, evidenciando a gravidade do cenário:
| Métrica | Dado (Brasil) | Contexto | Fonte |
|---|---|---|---|
| Concentração de Ataques na América Latina | 84% | Primeiro semestre de 2025 | TI Inside / Fortinet [1] |
| Vítimas de Ransomware Registradas (2025) | 113 | Atrás apenas de França, Espanha, Itália, Alemanha e Reino Unido | ransomware.live [1] |
| Ataques Semanais por Órgão Governamental | 5.389 | Outubro de 2025 | MPMT / Check Point [3] |
| Ataques contra Smartphones | 2 por minuto | 54% de todos os ataques na América Latina | Convergência Digital [5] |
O Impacto no Setor Público e na Vida do Cidadão
Quando um órgão público é atacado, os efeitos vão muito além do prejuízo financeiro. Recentemente, a Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza foi alvo do ransomware Nova, um exemplo claro de como esses ataques podem comprometer serviços essenciais à população. [6] Desde a interrupção de sistemas de saúde até o vazamento de dados de programas sociais, a fragilidade digital do poder público afeta diretamente o cidadão comum. Em 2025, o governo federal já registrou mais de 14 mil notificações de incidentes e vulnerabilidades, um número que evidencia a dimensão do desafio. [7]
Como se Proteger? Um Guia Prático para Empresas e Usuários
A proteção contra ransomware exige uma abordagem em múltiplas camadas. Não existe uma solução única, mas um conjunto de boas práticas que, juntas, reduzem drasticamente os riscos.
Para Usuários Comuns:
- Desconfie de E-mails e Links: A principal porta de entrada para o ransomware é o phishing. Não clique em links ou baixe anexos de remetentes desconhecidos.
- Mantenha Tudo Atualizado: Aplique sempre as atualizações de segurança do seu sistema operacional, navegador e outros softwares. Elas corrigem vulnerabilidades exploradas pelos hackers.
- Use Senhas Fortes e Autenticação de Dois Fatores (2FA): Dificulte o acesso não autorizado às suas contas.
- Faça Backups Regularmente: Mantenha cópias de segurança dos seus arquivos importantes em um HD externo ou serviço de nuvem. Se for atacado, você poderá restaurar seus dados sem pagar resgate.
Para Empresas:
- Treinamento Contínuo: Eduque seus colaboradores para que reconheçam tentativas de phishing e outras ameaças. O elo humano ainda é o mais fraco na corrente da segurança.
- Implemente uma Política de Segurança Robusta: Utilize firewalls, soluções de antivírus corporativo (EDR) e sistemas de detecção de intrusão.
- Segmente a Rede: Isole sistemas críticos para que uma infecção em um segmento não se espalhe por toda a empresa.
- Tenha um Plano de Resposta a Incidentes: Saiba exatamente o que fazer caso um ataque ocorra. Quem contatar? Como isolar os sistemas? Como comunicar a crise? Ter um plano definido economiza tempo e minimiza os danos.
Conclusão: Um Desafio Nacional
Os números de 2025 são um forte sinal de que a cibersegurança precisa se tornar uma prioridade nacional no Brasil. O país não é mais apenas uma vítima casual, mas um alvo estratégico para o cibercrime global e local. Enfrentar essa ameaça exige um esforço conjunto entre governo, que precisa fortalecer sua infraestrutura e criar regulamentações mais rígidas; empresas, que devem investir em proteção e treinamento; e cada cidadão, que precisa adotar uma postura mais vigilante no mundo digital.
A guerra contra o ransomware está em pleno andamento, e o Brasil está no epicentro da batalha na América Latina. A conscientização é a nossa primeira e mais poderosa linha de defesa.
Referências
- TI INSIDE Online – Brasil vira alvo preferencial de ransomware e expõe fragilidade digital do poder público
- Gov.br – Folheto Ransomware
- MPMT – Ataques cibernéticos globais disparam em outubro
- PR Newswire – Pesquisa da Cohesity sobre pagamento de resgates
- Convergência Digital – Brasil tem dois ciberataques contra smartphones por minuto
- DExpose – Nova Ransomware Targets Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza
- JOTA – Governo registra 14 mil notificações de incidentes







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